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Mosquitos​

Os mosquitos são insectos com 2 a 10 mm, de corpo fino e alongado, com asas compridas e finas, em que as fêmeas se alimentam de sangue antes de fazerem a postura de ovos em água parada (charcos, lagos, poços, pratos de vasos, bandejas de ar-condicionado, etc). Como referido, nos mosquitos, apenas as fêmeas são hematófagas (alimentam-se de sangue), daí que sejam estas que têm maior importância em saúde humana e animal como potenciais vectores de doenças.

A picada dos mosquito provoca desconforto e irritação, e pode causar reacções de hipersensibilidade em pessoas e animais susceptíveis.

 

Distribuição

Os mosquitos estão presentes em praticamente todas as regiões de todos os continentes excepto a Antártica. Estes insectos são activos na primavera e verão.


Doenças

Os mosquitos são os artrópodes mais relevantes para a saúde pública, uma vez que desempenham um papel fundamental na transmissão de doenças importantes que afectam os seres humanos, como a malária, filariose, encefalite viral, febre amarela, a febre Chikungunya e dengue. Actuam como vectores de agentes patogénicos que afectam muitos animais de estimação. São vectores naturais, por exemplo, dos vermes nematódes Dirofilaria immitis (dirofilariose) e Dirofilaria repens (filariose subcutânea).

Dirofilariose ( Dirofilaria immitis, “verme do coração”) e mosquitos (Culex pipiens)

A Dirofilariose Canina é uma doença parasitária causada por Diforilaria immitis, um nemátode aparentado com as lombrigas. A Dirofilariose é uma doença grave e potencialmente mortal e é endémica em muitas partes do sul da Europa e em países como a Itália, Espanha, Portugal, Sul de França, Grécia, Turquia, Roménia e Hungria. A Ilha da Madeira é a região da Europa com a maior prevalência de casos de Dirofilariose Canina, sendo a prevalência igualmente elevada nas regiões do Continente.

Todas as espécies e géneros de mosquito podem transmitir Dirofilaria, mas a capacidade de cada espécie para actuar como um vector da doença varia de uma região para outra. Os mosquitos da espécie Culex pipiens (mosquitos comuns ou “melgas”) são particularmente eficazes na transmissão de Dirofilaria.

Os mosquitos passam por quatro etapas durante o seu ciclo de vida: ovo, larva, pupa e adulto ou imago. As fêmeas adultas depositam os ovos em água parada; algumas espécies põem os ovos nas margem e outros colam os ovos a plantas aquáticas, dependendo da adaptação ecológica de cada espécie. As primeiras três fases (ovo, larva e pupa) são aquáticas. Normalmente estes estágios duram entre 5 e 14 dias, dependendo da espécie e da temperatura ambiente. A duração do período de desenvolvimento de ovo a adulto varia entre as espécies e é fortemente influenciada pela temperatura ambiente. Algumas espécies de mosquitos podem desenvolver-se em poucos dias, mas o período mais típico de desenvolvimento ronda os 40 dias. Normalmente os machos vivem cerca de uma semana, alimentando-se de néctar e outras fontes de açúcar. As fêmeas, no entanto, alimentam-se de sangue. Depois de obter uma refeição de sangue, a fêmea repousa enquanto o sangue é digerido e os ovos se desenvolvem. Este processo depende da temperatura, mas geralmente demora dois a três dias. Uma vez totalmente desenvolvidos, a fêmea põe os ovos e retoma a procura de alimento. O ciclo repete-se até que a fêmea morra. Em cativeiro, estas podem viver mais de um mês, mas na Natureza, a maioria não vive mais do que uma ou duas semanas.

Dirofilaria immitis

As dirofilárias passam por várias fases antes de se tornarem adultos, fase em que se alojam (mais frequentemente) na artéria pulmonar do animal hospedeiro. Os parasitas necessitam passar por um mosquito para o seu desenvolvimento e para completar o seu ciclo de vida. A velocidade de desenvolvimento no mosquito é dependente da temperatura, necessitando de cerca de duas semanas com temperatura igual ou superior a 27 ° C. Abaixo dos 14 ° C, o desenvolvimento não ocorre o ciclo é interrompido. Assim, a transmissão aos animais (cães e outros) é limitada aos meses quentes, e a duração do período de transmissão varia geograficamente. O período entre a infecção inicial, quando um animal é picado por um mosquito, e a maturação das dirofilárias para adultos dura seis a sete meses em cães e é conhecido como "período pré-patente".

Após a infecção, os parasitas inoculados pelo mosquito crescem durante uma ou duas semanas sob a pele, no local da picada. De seguida, migram para os músculos do tórax e abdómen, e aí alojados, passam por várias fases de desenvolvimento durante 75 a 120 dias. Após esse período entram na corrente sanguínea e são transportados até à artéria pulmonar. Ao longo dos três a quatro meses seguintes, aumentam de tamanho, atingindo as fêmeas adultas cerca de 30 cm de comprimento, e os machos cerca de 23 cm. Durante os sete meses seguintes à infecção, estas dirofilárias adultas acasalaram e as fêmeas produzem descendência, chamadas microfilárias .

As microfilárias circulam na corrente sanguínea durante até dois anos, aguardando ser ingeridas por um mosquito para passarem no intestino deste às fases seguintes do seu ciclo de vida e reiniciarem o ciclo.

Os sinais clínicos

O hospedeiro definitivo de Dirofilaria immitis é o cão, mas este parasita também pode infectar gatos, lobos, coiotes, raposas e outros animais, como furões, leões-marinhos e até mesmo, em circunstâncias muito raras, os seres humanos. O parasita é vulgarmente chamado "verme do coração", no entanto, os adultos muitas vezes situam-se tanto no sistema arterial pulmonar (artérias pulmonares) como o coração, e grande parte das consequências da infestação residem nas manifestação das lesões dos vasos e tecidos pulmonares. Por vezes, os vermes adultos migram para o coração direito e chegam mesmo a preencher as grandes veias em infecções numerosas. A Dirofilariose pode causar doença grave ao hospedeiro, culminando com a morte, tipicamente como resultado de insuficiência cardíaca congestiva.

Os problemas cardio-respiratórios típicos da doença podem por vezes estar associados a outros sintomas: sinais cutâneos (prurido, alopecia, necrose das extremidades), sinais nervosos, sinais hemorrágicos, sintomas oculares e doença renal (insuficiência renal).

A evolução dos sintomas é geralmente lenta, e os animais que alojam apenas alguns parasitas não costumam mostram sinais clínicos durante as fases iniciais e intermédias da doença.


 
Dirofilaria repens , Dirofilariose Cutânea

O parasita Dirofilaria repens é um nematode endémico em muitos países Europeus, com uma distribuição progressiva para os países do centro e nordeste do continente.

O ciclo de vida de Diroflaria repens é composto por cinco fases larvares que se desenvolvem em animais vertebrados e uma fase num artrópode (mosquito) que actua como hospedeiro intermediário e vector. Na primeira fase, os vermes adultos do sexo feminino produzem milhares de microfilárias (larvas) que libertam na circulação sanguínea e são ingeridos por mosquitos quando estes se alimentam. As larvas tornam-se infectantes no mosquito em 10 a 16 dias, dependendo das condições ambientais, antes de serem inoculadas num novo hospedeiro. Os adultos de D. repens residem nos tecidos subcutâneos de cães e gatos, onde amadurecem em 6-7 meses. Os vermes adultos têm 1-2 mm de diâmetro e as fêmeas podem chegar aos 25-30 cm de comprimento, sendo os machos mais pequenos.

Nos humanos, as infecções manifestam-se, geralmente, como um nódulo único subcutâneo, que é causado por um verme adulto preso e encapsulado pelo sistema imunológico. A migração subcutânea do parasita antes de ser capturado pelo sistema imunitário pode resultar no surgimento de nódulos em vários locais. Em casos raros relatou-se a presença de nódulos no pulmão, órgãos genitais masculinos, mamas e olho.

O mosquito-tigre asiático (Aedes albopictus) e o mosquito do Dengue (Aedes aegypti), origem e propagação

O mosquito-tigre, Aedes albopictus, é uma espécie nativa da Ásia e mosquito do Dengue, A. Aegypti é uma espécie nativa de África, que se espalharam por praticamente todo o Mundo através do comércio marítimo e outras vias de tráfego comercial e humano. Ambas as espécies são muito adaptáveis, agressivas e picam durante o dia, ao contrário dos mosquitos transmissores de malária (Anopheles) e Dirofilarária (Culex). .Apresentam um padrão tigrado típico branco e preto e medem em média cerca de 3 mm. Estão a tornar-se numa ameaça global para a saúde pública, pois são vectores de Febre Amarela, Dirofilariose, Dengue e Febre Chikungunya.

O mosquito-tigre Aedes albopictus está actualmente presente em todos os países mediterrânicos, incluindo certas regiões da Turquia e países do Médio Oriente, como o Líbano, Israel e Síria. As populações de mosquito-tigre têm vindo a surgir progressivamente mais a Norte. No Continente Europeu A Itália e Sul da França são as áreas com maior presença destes mosquitos. A espécie Aedes aegypti foi identificada como estando na origem de um surto de Dengue na Ilha da Madeira, em 2012.

Ref: Bonizzoni M., G. Gasperi, X. Chen, James AA; As espécies de mosquitos Aedes albopictus invasivas: perspectivas de conhecimento actual e futuro; Trends in Parasitology, 2013, Vol. 29, No. 9, 460-468

Sousa CA, Clairouin M, Seixas G, Viveiros B, Novo MT, Silva AC, et al. Ongoing outbreak of dengue type 1 in the Autonomous Region of Madeira, Portugal: preliminary report. Eurosurveillance. 2012;17(49):20333

Protecção e controlo de mosquitos

O tratamento repelente nos cães tem-se mostrado eficaz na redução do número de picadas de mosquito, por isso o uso regular destes produtos reduz a transmissão de agentes patogénicos transmitidos por mosquitos.

O controlo dos mosquitos deve ser efectuado igualmente destruindo os locais onde estes depositam seus ovos, que nunca se encontram muito longe dos sítios onde os animais e humanos são picados. Devem ser identificadas as poças que durem mais de três dias, calhas dos telhados, o interior de pneus velhos, lixo (especialmente recipientes de plástico como garrafas), aberturas de esgotos e sistemas de drenagem, e quaisquer locais em que possa haver água estagnada como os vasos de flores. Qualquer recipiente que possa conter água deve ser preenchido com areia ou cascalho fino para impedir a postura dos ovos dos mosquitos.

Água de piscinas, bacias de captação, etc., que não possam ser esvaziadas ou preenchidas com areia, podem ser tratadas periodicamente com insecticidas devidamente indicados para o efeito ou ser-lhes aplicado bagos de Bacillus thuringiensis israelensis (Bti), uma bactéria produtora de toxinas que são eficazes na eliminação das larvas de mosquitos e outros insectos, mas sem efeitos sobre outros organismos.

As águas correntes não são locais de reprodução, e lagos com peixes também não costumam ser problemáticos, pois estes comem as larvas de mosquito. As libélulas são, igualmente, um excelente método de controlo ambiental pois as larvas da libélula alimentam-se das larvas dos mosquitos na água, e as libélulas adultas caçam os mosquitos adultos.

Controlar os mosquitos com FRONTLINE TRI-ACT

A administração tópica da nova combinação de permetrina e fipronil proporciona repelência (inibição da alimentação) em cães contra os mosquitos durante 4 semanas*. O produto reduz significativamente o potencial para a transmissão de doenças transmitidas por vectores, através da inibição da alimentação dos mosquitos.

Para além de agir como repelente, o FRONTLINE TRI-ACT mata mosquitos (A. albopictus, A. aegypti, C. pipiens) que entrem em contacto com o pêlo de um animal tratado (em estudos de desenvolvimento do produto, a eficácia insecticida contra A. albopictus foi acima de 91% 4 semanas após o tratamento).

* Culex pipiens

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